quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Trabalhos, Loucura, Suicídio e Assassinatos.

Caro leitor. Prepare-se para possíveis erros de português, pois este é um texto que eu costumo fazer quado tenho muita coisa presa na minha cabeça. E por isso não consigo escrever no word para depois extrair pro blog. Lá eu costumo reler o texto o corrigindo, contudo eu muitas vezes, e como tem acontecido, fico preso na primeira linha por não querer falar certas coisas. Ou querer que saia tudo certinho. E as vezes até por preguiça de saber que o texto ficara E-N-O-R-M-E acabo parando nas primeiras linhas. Aqui eu costumo sair escrevendo loucamente sem ler o que já foi e deixo tudo pra lá.

Hoje é um dia simplesmente assustador na minha vida. Fui contratado para fazer um vídeo e minha fome de dinheiro foi maior que meu senso de logica e então peguei o trabalho. O problema não é o cliente, nem a arte. Ele deixou por minha conta, apesar de que eu tenho que seguir a risca certo parâmetros. O meu problema é que ele me pediu o trabalho semana passada e com as reuniões que fizemos até chegar no ponto X onde o trabalho estava praticamente, completamente, combinado me sobrou somente hoje a noite pra fazer o vídeo. Eu não trabalho muito com vídeo e este é um cliente que, apesar de me dar a liberdade pra criar e saber do que se trata tudo do designer, ele não aceita o trabalho se não estiver perfeitamente do jeito que ele gosta. Contudo eu já notei um problema que pode me fuder muito. Ele não raciocinou sobre o tempo de criação de um vídeo. É a tipica pessoa que pensa que este tipo de trabalho leva cinco minutos. E eu já estou vendo que ele alem de não calcular isso. E também não calcular o tempo de renderização e gravação ele possivelmente vai me pedir alterações em cima da hora que não serão possíveis.

E eu ainda nem sei como fazer isso hoje. Como vou começar e terminar esse vídeo com uma noite. Como eu vou gravar e como eu vou entregar isso. O pior de tudo é que ele me pagou um adiantamento... e eu já usei uma parte do dinheiro. Para falar a verdade isto não é problema algum para mim. Eu posso pegar do meu salario e passar pra ela. Mas eu não posso mais queimar meu filme deixando cliente na mão em cima da hora. Já fiz isso uma ou duas vezes. E agora é um cliente que não influencia somente no meu nome no mercado de trabalho. Mas também na minha carreira. Ele é um cara que pode precisar de mim a qualquer momento e que futuramente pode ser um empregador se eu quiser ficar em Mariana. Tudo o que eu queria era poder dizer "Não dá pra fazer esse trabalho. Toma o seu dinheiro."

Contudo, e eu odeio esse contudo, eu não posso simplesmente fazer isso. É queimação de filme demais. Eu nunca mais vou ser capaz de olhar na cara do cliente. Eu sinto raiva de mim por não ter pensado que estava em cima da hora demais. Agora eu tenho que me virar. Estou tentando não me preocupar demais. Porque é fácil. Dá pra fazer rindo e com os pés nas costas. Mas o medo de não conseguir misturado com a minha semana e meu mês estão acabando com meu psicológico. 

Nem gosto de voltar nesses assuntos, mas tenho pensando em suicídio demais. O que eu acho um absurdo. Depois de duas internações na reabilitação eu ainda penso nisso. O tempo todo. Eu ainda não tentei nada, contudo... Eu tenho pensando demais. Ate cheguei a testar a minha lâmina de emergência, que fica na minha carteira para eventuais mudanças de humor e possíveis pensamentos e tentativas de suicídio.  Cortei meu dedo e ela está funcionando muito bem. (Esse texto em negrito me envergonha e me faz crer que eu tenho problemas mentais de verdade).

Além disso eu tenho passado tanta raiva com a minha família que eu estou descobrindo um lado maniaco meu. Eu sempre pensei e falei de suicídio. Ninguém nunca acreditou e eu fui parar numa clinica por isso. Nem eu mesmo levava isso a nível de preocupação... Contudo. O tempo deu seu jeito de me provar que eu precisava de ajuda profissional. 

Hoje eu estou com medo de estar me tornando um psicopata. Já sei que tenho distúrbios mentais.  E ficar pensando o tempo todo em me matar e matar outras pessoas está me preocupando. Sei que as vezes com raiva a gente pensa em matar umas pessoas. Mas não sei se é normal ficar pensando em todo um assassinato em questão como; como chegar perto da pessoa. Que armas e ferramentas usar. Imaginar a pessoa sendo cortada e achar isso prazeroso... bom... eu preciso de ajuda, mas eu não quero ir pro hospital e deixar a escola, o curso de Design e o trabalho de lado.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Merda dia 13 de Dezembro de 2011


Eu estou me perdendo mesmo nessa coisa de pensar demais sobre a vida. Eu deveria me sentir mais calmo agora que sai de casa, contudo eu estou me sentindo ainda mais perdido e confuso. Ainda mais sozinho e sem rumo. Eu estou aos poucos perdendo a expectativa de vida e nada me parece promissor. Estou deixando os dias passarem naturalmente como se amanha não fosse nada. Eu perdi todo o sentido de viver e isso já faz algum tempo que vinha acontecendo. Porem agora teve o momento ápice da minha explosão de merda...
Hoje eu dormir com os olhos apoiados nas mãos de frente pro meu chefe e minhas lagrimas desceram no meu rosto enquanto ele me dava ordens, não sei como eu consegui não me importar. Não sei como pude levar aquela cena tão naturalmente sem medo de arriscar nada. Ai que eu vejo que realmente não estou me importando com o que vai acontecer amanha... Acho que é por isso mesmo que me mudei de cidade, que há dias não me alimento bem, que só tenho ficado na cama e sem animo algum de sair de casa.
Hoje eu perdi a razão no escritório quando os parceiros de trabalho do meu chefe falavam de encomendas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Vieram-me logo aquelas imagens de um Rio de Janeiro que eu conheci em ruínas aos 12 anos de idade e de uma BH que eu havia conhecido mais de perto do que possível. Olhei pro céu da janela. Puro azul e nuvens com um sol brilhando como todos nos queremos na vida. E eu vi as tardes tumultuosas dessas cidades e o trabalho e o mundo globalizado e eu aqui sem saber o que fazer notei que eu perdi a minha chance de ser alguém na vida a muito tempo. Deveria dar a culpa da minha ruína ao meu pai, meu irmão. Mas eu sinto que maior parte da culpa é minha por não ter notado ainda mais cedo do que aos 16 que o mundo era cruel e complicado. Que a felicidade é uma GRANDE MENTIRA, como deus. Talvez ele ate exista. Mas eu perdi minhas esperanças. Perdi minha fé e a vontade de fazer qualquer coisa. Para mim acabou.
Eu não sei o que houve comigo afinal, mas eu sinto que eu perdi a minha vida. Como se ela se perdesse em minha frente como fumaça e eu fosse incapaz de pega-la no vento... Tenho para mim que a única coisa que eu devo esperar mesmo é a morte.

O pior de toda essa situação é que faltam pouquíssimos dias para celebrarmos o Natal e pra mim parece que essa data não existe no calendário. Não sinto que vou acordar dia 25 e notar que não é um domingo qualquer. Eu sinto-me curioso pra saber o que eu estou fazendo nesse mundo afinal, qual é a minha tarefa?! Às vezes sinto que estou aqui para que os outros me vejam e pensem “Não vou chegar a esse estado”. Tenho medo de um dia ser um homem sujo jogado pelas ruas de uma cidade esquecida. Mas sinto que isto esta escrito no meu futuro. Um dia a ruína cairá sobre mim. Tenho certeza. E não pouco satisfeito, quem fez o mundo ser mundo ainda vai me deixar nesse lugar apodrecendo por anos a fio. Sofrendo. Porque como eu já notei. Eu preciso de muito, muito mais do que um corte. Não sei o que fiz para estar sendo castigado, mas com certeza fiz algo muito ruim e feio.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011


Dia 31 de Outubro de 2011
Segunda Feira

Já faz muito tempo desde a última vez em que eu escrevi aqui no diário. Já faz muito tempo desde a última vez em que eu fiz alguma coisa direito ou completa. O fato é que eu estou de certa forma doente. Não é preciso pensar que eu estou em depressão ou coisa assim. Não. Na verdade o meu problema é que eu não tenho conseguido ajustar as coisas na minha vida. E às vezes quando eu tento desabar eu não consigo.
Certo dia, quando eu estava pegando uma condução na minha cidade, eu fiquei pensando. “Porque eu não escrevo mais?”. No mesmo momento eu me lembrei dos primeiros textos não terminados que eu fiz. Na primeira vez eu tive uma espécie de falta de criatividade que me impediu de sair dos dois primeiros parágrafos. Depois eu sempre desanimava de escrever no inicio do texto e dispersava com coisas bobas. Quando isso aconteceu por muito tempo foi o fim das tentativas. E então eu parei de escrever.
Eu cheguei à conclusão de que eu não consigo mais escrever pelo tanto de coisas que eu não escrevi. Foram tantas coisas que eu deixei pelo caminho, tantos segredos, tantos momentos. Muitos e muitos.
E foi caminhando neste caminho que eu vejo que toda a minha vida se perdeu. Tudo foi se acabando. Lendo somente as primeiras paginas de um livro, fazendo algumas refeições, saindo de casa algumas vezes e fazendo o que eu não tinha planejado. Deixando o planejado desajustado. Sendo um amigo mais ou menos as vezes. Sabe? Não dá pra ficar citando todo o caminho que eu falhei. Contudo. É isso. Foi um longo caminho, posso contar aproximados dois anos se eu quiser. E nesse tempo a única coisa que eu fiz mais ou menos certo foi trabalhar. E mesmo assim eu sinto que não valeu a pena. Foi um total desperdício? Claro que não, porém poderia ter sido melhor, bem melhor do que isso que eu sinto agora.

Eu costumo ver a vida como uma espécie de etapas diárias que nós devemos ou não completar. (Sou incapaz de explicar alguma coisa, estou realmente perturbado). Não sei ao certo quantas seriam essas etapas. Mas é como; Estudos, Trabalho, Amigos, Família, Sexo, Relacionamentos, Pessoas e Saúde.
Eu sinto que nada relacionado a isso na minha vida esta bem e certo. Tenho para mim que quando essas coisas estão alinhadas da forma certa a vida fica bem e certas coisas como auto-estima caminham em paz. A minha energia não esta nada bem ultimamente, então, sendo assim creio que nada está bem. Não creio, na verdade, tenho total certeza disso! (Estou lutando com todas as minhas forças pra terminar este texto. Nesse exato momento, tentando não chorar).
[...]


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dia 04 de Maio de 2011
Quarta-Feira

Hoje eu acordei muito bem. Não sei se foi por ter dormido um pouco mais cedo. Cheguei a minha casa do trabalho ontem à noite e tomei um banho. Depois de uma pequena discussão com a minha mãe. Sai do banho e fui jantar e logo depois fui dormir. Dormi cedo. Dormi bem e acordei cedo e bem. Acordei antes mesmo de ela chegar ao meu quarto. Sai da cama, dei uma volta pela casa e quando vi meu pai voltei às pressas pra minha cama. Eu fiquei deitado de olhos fechados no escuro. Quase escuro. Tinha uma luz fraca vindo pela porta. Estranho era a luz não vir também pela janela. Foi por isso que pensei ter acordado cedo demais. Imaginei que alguma luz da casa estava acessa e me escondi debaixo dos cobertores antes de levantar pela primeira vez. Eu tenho medo da noite, do escuro e da madrugada. Eu tenho medo das três da manha.
Logo depois do meu banho matinal. Que hoje foi muito confortável. Sem pressa e sem raiva e a vontade e todas as coisas deliciosas de uma manha calma. Que abria um dia calmo. Afinal, hoje seria um dia bem calmo. Meus chefes não estariam no estúdio – eles não estão até antão – e eu poderia trabalhar bem mais calmo. Quarta-Feira. Meio de semana, semana de pagamento e cigarro acabando. O cigarro já acabou pra falar a verdade.
Fui tomar café essa manha, uma caneca de café com leite ou leite com café. Fui pegar uma caneca, eu queria a minha. Fui até onde estavam todas secando. Não estava lá. Fui até o armário onde ela sempre ficava e ela não estava ali também. Eu perguntei em voz alta. Porém não falei pra ninguém. Falei perguntando comigo “Onde está a minha caneca”. Foi quando a minha irmã falou depressa e com desdém; “Está ali no balcão.” Fui ate lá pegar a minha caneca e minha mãe começou a resmungar o fato de eu ter reclamado a minha caneca. Ela, como sempre, pensou que eu estava insinuando que alguém tivesse pegado a minha caneca. Mas eu não estava fazendo isso. Eu queria saber onde estava pra eu tomar meu café. E ela começou a me xingar enquanto eu despejava leite e café na minha caneca no balcão. E ela falava e falava. E eu disse que ela entendeu mal. Expliquei que eu somente perguntara em voz alta. Que eu falava comigo mesmo. Ela é tão teimosa e eu conhecendo como conheço expliquei com calma. Ela continuou falando o quanto eu era mal criado, sem educação. Um péssimo filho que não dá valor. Eu tentei ficar calado enquanto ela falava tudo aquilo. Que por mais que eu finja que não, me magoa. Magoa-me e muito.
Minha mãe. Não sei de onde e como, tirou uma idéia que eu a odeio. Não sei por quê. Não sei quando. Não sei como. Há alguns anos ela vem falando isso “Eu sei que você não gosta da gente”. Mas que diabos ela esta dizendo. Se eu não gostar de alguém eu nem ao menos penso nessa pessoa. Quem dirá viver com ela o dia todo e conversar, contar as novidades. Desde quando ela começou a dizer isso eu venho dizendo “Que dia que eu disse que não gosto de você?”. Lembro que recentemente eu perdi a paciência e falei pra ela parar com isso. Disse que era uma palhaçada, não era legal de ouvir e que não tinha nexo nenhum. E não é uma coisa que você fala tão tranquilamente pra alguém. Perguntei quando foi que eu falei pra ela que a odiava. Ela nunca para de falar isso. Nunca para de dizer que eu não gosto dela. Coisa que nunca disse e ainda não sinto. Eu amo a minha mãe e isso não é preciso ser dito.
Hoje de manha eu perdi a paciência e enquanto ela falava sobre a caneca e a minha falta de educação, egoísmo, falta de respeito e Blá, Blá, Blá. Eu soltei “Ai! Mãe. Vai ver se eu estou na esquina.” Ela parou quieta e fez uma voz fina e rouca. “O que?”. Eu fiquei calado e continuei a tomar o café. Calado.

“Mas então é isso não é? A gente fica aqui fazendo papel de bobo. Faço tudo por vocês e vocês ficam me tratando como lixo. Eu deveria esquecer você e deixar pastar bastante. Porque desse jeito você não vai muito longe não. Vai sofrer muito. Não vai conseguir nada nessa sua vida.”

Essa conversa demorou 30 minutos enquanto eu ainda estava em casa. Tive que ficar calado pra não passar mais conflito. Eu sempre faço isso. Fico calado pra não render muito assunto e muita briga. Mas as vezes eu não tenho paciência. Ela fica falando o tempo todo sobre isso. Sobre eu ser o pior filho do mundo. Eu não vejo nexo nesse comportamento da minha mãe. Eu me acho uma pessoa tão digna de orgulho. Tenho dezessete anos. Beirando meus dezoito. E vê lá. Já tenho dois quase dois anos de empresa na empresa que trabalho. Tenho como profissão uma coisa que gosto muito. Levo minha vida muito a serio e tudo que eu faço é bem equilibrado. Sou a vergonha da família por ser Gay. Mas apesar de tudo que a sociedade pensa eu sei que eu sou digno de respeito. Não o Marcio Gay. Simplesmente o Márcio.
Certa vez o Mateus Marques me disse “Não fica ai olhando a falta de valor dos outros. Pense e mostre o seu valor”. Foi logo após eu contar os pós e contras da minha família. E o fato de eu ser o único filho, e o filho mais novo. Quem tem um trabalho fixo com carteira assinada e uma profissão bem legal. O que é a verdade. Prefiro não contar nos dedos os problemas da minha família. Nenhuma família é perfeita. Eu sei. Já tive inveja de algumas famílias e depois tive orgulho da minha e o contrario. Que vem e vai e volta.
Às vezes eu fico triste com essas brigas lá de casa. Mas depois tudo passa, eu esqueço e me acomodo ao cômodo. Depois quando tudo me volta fico triste. Preciso mudar alguma coisa nessa minha vida que eu acho que estou fingindo que não existe. Sinto-me estranho às vezes de estar levando essa vida. Dezessete anos, trabalhando de segunda a sexta enquanto meus amigos fumam um baseado e eu não tenho tempo nem pra acender um cigarro. Pagando contas, fazendo contas. Preocupando-me com a vida, com o amanha. Com o futuro próximo e o que não é tão próximo assim. Tentando arrumar os erros. Tentando arrumar um ideal e esquecer os problemas do coração. Algumas vezes tentando encontrar um alguém que me entenda e me acompanhe. Algumas vezes tentando decifrar o que os outros estão sentindo no meu mundo. Tentando viver com calma. Tentando viver feliz. E no fim do dia deitando na cama notando que se foi mais um dia na rotina e na falta do movimento dos meus pés. Eu ainda estou sem respostas. Eu ainda não sei o que fazer da minha vida.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dia 02 de Março de 2011
Quarta-Feira

Olha só quem diria que o ano passaria tão rápido e tão devagar ao mesmo tempo? Ninguém mais comenta do fato de estarmos num ano novo. Mas acho que as coisas ainda estão começando a tomar forma. Afinal o carnaval não passou ainda certo? Nos ainda não estamos sexualmente contaminados nem grávidos. Não demos o que falar enquanto bêbados pelas ruas de Ouro Preto. Não fumamos ate cansar e nem beijamos na boca loucamente pessoas desconhecidas com o mesmo ideal. Pegar geral. Depois disso o ano começa com seus eventos naturais. E problemas de pós-carnaval que fazem muita diferença num ano novo. Pelo menos este ano não teremos uma copa do mundo pra acabar com a minha paciência. Nem o fato de ter folga nos jogos do Brasil me alegraram no ultimo ano. Passar na rua com toda aquela gente gritando. Toda aquela coisa amarela. Toda aquela animação e cerveja... Não! O que mais me chamava atenção era o fato das ruas estarem desertas. Tinha muito barulho e movimento, mas. Nada de pessoas. Mas afinal porque essa coisa de ano novo? Todo ano acontece e as pessoas acham que alguma coisa vai mudar. Nada de mais. Você simplesmente da mais um passo na vida. Mais um ano de vida, na escola, no trabalho, em casa, na família e no Big Brother Brasil.
Mas não é realmente sobre isso que eu queria falar. Quero falar de como estão as coisas. Com você está tudo bem? Bom, comigo, eu não sei bem. Já faz algum tempo que eu não sei dizer o que sinto. Não sei explicar como estou. Estou bem. Sim. Estou mal. Sim. Estou confuso, ansioso e agitado. Sem saber o que fazer? Sim! Eu sinto todas essas coisa o tempo todo. E acho isso muito estranho, uma hora eu estou rindo, outra estou chorando, outra tenho raiva, outra hora eu estou ansioso. De vez em quando fica o dia todo sentindo alguma coisa, em outras já nem sinto. Não posso dizer como estou me sentindo. Meus sentimentos estão muito paralelos. Muito desequilibrados. Ou eu quem estou desequilibrado...
Ultimamente estou achando incoerente dizer que as coisas estão difíceis e que eu estou mal. No trabalho em fim estou registrado como funcionário de carteira assinada. Ganhei um aumento salarial bem ajustado e digno. Pelo menos para mim. Foi um aumento pequeno, mas que vai fazer muita diferença para mim. Mais a comissão de trabalhos externos. Dá uma grana bacana. Eu agora, em fim, tenho estrutura financeira para sair de casa. Não estou com tanto medo de sair de casa mais. Além do meu aumento e contrato eu estou sendo um trabalhador bem dedicado. Atento e pontual. Receptivo e atencioso. Posso melhorar muito ainda. Mas se colocássemos os tópicos sobre mim há um ano e hoje. O resultado é absurdo de como eu cresci e amadureci, tanto na vida quanto no trabalho. Eu ganhei uma conta bancaria no Bradesco com um cartão de credito no limite de 900 reais. O que faz uma grande mudança na minha vida financeira. Nos últimos dois anos. Tempo x em que eu trabalho na empresa tive que comprar tudo à vista. Não é uma coisa muito confortante. Pagar um valor alto num mês em somente uma peça não é algo lucrativo. Tenho que selecionar o que é mais importante. E deixar muitas outras coisas importantes de lado. Agora eu posso comprar varias coisas de uma vez e pagar uma fatura mensal semelhante a aquelas que eu pagava em uma só peça.
Quando cheguei à conclusão de que realmente iria sair de casa arrumei meu quarto completo. Demorou três seções. Dois dias. Sábado e domingo. Queimei duas pilhas de coisas velhas e fiz outra pilha que só joguei no lixo. Tirei toda a decoração. Limpei todo o quarto. Separei todas as minhas coisas em úteis, inúteis e lixo. Pensando em como serão as coisas daqui pra frente.
As coisas parecem estar sob controle certo? Tudo esta bem, tudo esta certo. Porém, eu ainda não me sinto completamente satisfeito. Apesar de eu estar melhorando no inglês. E ter notado que eu estava ruim pelo estresse. Em tudo eu estava indo mal por estresse, menos no trabalho. Quando notei isso tentei manter o foco e melhorei em algumas coisas. Muito mais pela ajuda de uma fantasia que eu tive esses dias. Imaginei que um menino lindo que eu sou platonicamente apaixonado estava afim de mim. Pensar nele dessa forma me deixou loucamente feliz por dias. Foi quando eu melhorei no curso de inglês do skill. Comecei a me dedicar mais. Fiz vários trabalhos rápidos e meus chefes me elogiaram muito. Naquela semana. Porém a verdade veio à tona e eu estou novamente passando por momentos ruins. Tudo começa pelo fato de que eu nunca imaginei, nem em sonhos que se eu conversasse com ele no anônimo ele descobriria quem estava do outro lado. No caso; eu.  Então as coisas começam a piorar quando minha esperança de alguma coisa acontecer cresce demasiado forte e quando eu deixo a razão falar vejo que é tudo uma ilusão da minha cabeça. Vem o ponto mais forte de toda essa historia. Eu sou e sempre fui muito tímido. Apesar de não transparecer isso, eu sou maníaco com isto. Tenho uma espécie de doença quando tenho vergonha de alguma coisa. E quando tenho vergonha também tenho medo. Ver esse garoto passando na rua agora não é tão mais legal quanto era há um ano. Agora eu tenho medo de sair do Studio, por medo dele estar passando. Tenho medo de topar com ele a qualquer hora. Tenho medo do que ele pode pensar e do que esta pensando. E isto me impede de ter uma conversa digna, madura e social com o mesmo para abortar estes problemas e resolve-los da maneira correta.
Isto tudo me deixa muito descontrolado, e sem rumo, e sem foco, e sem razão. Eu estou ficando muito ansioso e isto esta acabando com meu psicológico. Estou notando que isto esta começando a prejudicar o meu trabalho. Estou perdendo o foco e o animo a todo o momento. Fica com a cabeça vazia. Não penso em nada, mas sei que no fundo penso nisso. Porque fico olhando o relógio a cada segundo esperando meu almoço. E eu não queria estar assim. Acho ridículo quando alguém fica tão lunático por alguma coisa. E só sabe pensar nisso. Parece obcecação. E eu não quero que ele pense que eu estou sendo esse ser obcecado e paranóico que fica na cola dele a todo o momento. E estou tentando acreditar que eu não sou assim. Porque eu não sou mesmo, só estou um pouco ansioso. Já vi casos piores. Muito piores. Casos de policia até. E aqui em Mariana.
Graças a Deus estou passando por esta situação da mudança no trabalho e da chance de sair de casa. Que estou usando da mesma como o núcleo do meu estresse. Até agora ninguém sabe que eu estou sofrendo pelo garoto lindo do cabelo bonito. [...] Sinceramente nem ligo muito pra ninguém saber. Ninguém vai poder me ajudar. Ninguém vai arrumar uma solução. Ele é bonito demais pra mim, e mesmo se não fosse tão lindo. Continuaria sendo bonito demais para mim. Eu sei que não tenho chance nenhuma de tocar ele de alguma forma... Suspiro forte e lentamente só de pensar em como deve ser bom, o cheiro dele, a pele dele, os olhos dele bem de perto. Como deve ser bom sentir a textura de cada centímetro da pele. De cada fio de cabelo. É uma pura fascinação da minha parte, certo?! Acho que não é obcecação.  Até que é bem puro e bonito esse desejo. Não é desejo de carne, não é desejo de corpo. Mesmo o toque não tem fome. Somente uma necessidade de carinho. De afeto. Eu o acho uma figura tão meiga, tão interessante e confusa, tão cheia de coisas pra mostrar. Tão novo e tão curioso e instigante. Provocador de conhecimento. Acho que é esse o meu problema. Uma sede de conhecer quem ele realmente é. Por trás dessa beleza maravilhosa que ele tem. Por trás dos braços cruzados e dos olhos no chão. E dos cabelos ondulados, ou cacheados. Não sei bem. Eu queria ser digno o bastante pra ser amigo dele.

[...] Eu tenho que esquecer que ele existe.