Dia 13 de Dezembro de 2010
Queria ter mais tempo pra desabafar aqui. Mas as coisas estão bem difíceis. Meu trabalho esta complicado. Muitas coisas estão melhorando, porém muitas coisas também estão ficando complicadas demais. Tanto para mim quanto para Caetano, Tetiele e Ronan. No meu caso é mais complicado com a situação entre Ronan e eu. Estamos planejando nossas vidas. E estamos num fogo cruzado em que se um de nós fizer algo sem pensar poderá acabar com todos os planos e a vida de um de nós. Hoje eu sei o que é a vida de verdade. O que é o mata-mata no mundo dos negócios o ditado; “Amigos, amigos. Negócios a parte”.
Ronan está trabalhando num projeto grande de uma coisa que ele gosta. Uma coisa grande e complicada. Deve ter paciência e planejamento. Já eu. Estou trabalhando, como já disse em todas as postagens, na minha vida. Minha independência e liberdade. Falando assim parece algo fácil, e parece falta de coerência de minha parte. É sim, em partes, falta de coerência. Mas é o que infelizmente está acontecendo. Às vezes sinto que poderia ser pior. Com exemplos de jovens muito mais jovens que eu. Que foram expulsos de casa e tiveram que se virar nas ruas de cidades muito mais perigosas que a minha. Foi o que eu vi ontem em Belo Horizonte. Uma cidade em ruínas para as pessoas. Ninguém confia em ninguém, ninguém pode acreditar em ninguém. E nem uma pessoa naquele lugar dá credibilidade ao próximo. Lembrando que quanto mais fudido você for num país como o nosso. Mais as pessoas vão renegá-lo e tratá-lo com preconceito. Assim a cada segundo a situação ira piorar.
Por isso sinto que tenho forças necessárias para me manter por um bom tempo. Claro que a partir de então as coisas vão ser bem mais difíceis para mim. Vou ter que criar 100% mais responsabilidade que hoje. Terei de lutar para conseguir cada vez mais, com respeito aos meus limites, com cautela e coerência. Com leviandade e responsabilidade. Terei de tomar cuidado e sempre saber o terreno em que piso e com certeza de que este é firme. Terei de privar-me de prazeres, terei de entregar-me de corpo e alma ao meu futuro e a minha segurança. Terei de criar milhas à minha frente. Hoje ainda morando com meus pais em paz. Não consigo me conter e escolher as coisas certas a fazer. Hoje já preciso me virar sozinho e mesmo assim ainda fico na dependência de terceiros. Aqueles que hoje não estão ao meu lado. Pseudo-Pais.
Eu estou ficando a cada dia com mais medo do que pode acontecer com minha vida. Tenho muito medo mesmo. Tenho medo de não ter nada, de passar necessidades. Afinal, apesar de tudo, fui criado numa boa casa. Sempre tive, pelo menos, o básico e necessário em minhas mãos. Plano de saúde, alimentação e etc. Às vezes por isso acho que estou sendo incoerente. Porque sair de um lugar onde tenho tudo. Não tudo o que desejo. Mas tudo o que preciso. Minha cama, comida na mesa, banho, água fresca. Um luxo.
Acho que sinto a necessidade de liberdade e segurança. Ate responsabilidade, apesar de ser algo difícil, cansativo e ruim. Sinto vontade de ter meu espaço. Sinto vontade de não precisar de alguém. Quero poder sair sem dizer aonde vou chegar e chegar sem dar satisfação de onde estive e estou. Poder dormir quando quero, e não digo dormir tarde e sim cedo. Não quero depender de pessoas que me mostrem que acima de tudo o que eu fizer. Serei sempre dependente de suas idéias. Eu queria muito ser uma criança despreocupada novamente. Como na época em que eu somente me preocupava com a chance de minha mãe me dar bronca quando visse meu boletim escolar. Ou na época em que meu maior medo era o escuro. Como quando eu dormia e não me importava se no outro dia eu faria isso ou aquilo. O futuro para mim era algo estereotipado. Via um homem de pele marrom, alto, muito alto e magro. Com um uniforme de uma firma qualquer, como meu pai. Em frente a sua empresa com seus filhos e sua mulher. Um olhar calmo, barba por fazer e cabelo curto. Uma casa a sua espera. Uma vida fácil. Uma visão simples, ingênua e sem conhecimento de criança. O que eu era. Por que crescer afinal? Poderia estar agora curtindo minhas férias no quintal de casa ainda de pijamas com minha Irma, Gabriela. Sujos de lama criando um mundo mágico de argila. Viajando pelo Egito, São Paulo, Roma, Paris, Nova Iorque. Assistindo alguns filmes dos anos 90 na seção da tarde. Querendo ser um daqueles sapecas que aprontavam as férias de verão em aventuras incríveis com suas camisas xadrez. Grandes e abertas. Seus tênis Nike e All Star sujos, velhos e meio desamarrados. Como eu queria que esse tempo de paz voltasse.